quarta-feira, 27 de julho de 2016

Ói o trem...


  Uma vez ou outra , no meio da madrugada eu escuto a buzina de um trem fazer tremer os vidros das janelas do meu quarto. Ando tão assombrada... deve ser de imaginar que enquanto o motor do mesmo trem é esquentado e segue continuando a por o bendito em movimento, ele azucrina, quase cantando a vida que vai sendo vivida enquanto não estou lá.
 É meio ensurdecedor, sabe? Esse barulho que o trem faz, tenho pra mim que xingando quem caminha sobre os trilhos enquanto sabe que ele vem – sujeitinho egocentrista esse – e rindo da cara de quem porventura estivesse dormindo, como suponho que eu deveria estar... O anúncio da vida que acontece em outro lugar e que passou por mim com seu farfalhar de fumaças e trilhos e buzinas e lenhas, com carga ou sem, - talvez indo busca-la - estendendo-se sobre a minha vida com seus inúmeros vagões, mesmo que somente para depois continuar seguindo, a medida que ainda não muito bem me dei conta da sua chegada, e pra gente seguir vivendo de um jeito ou de outro aqui no mesmo lugar, lembrando que o trem é bem como gente que passa pela vida da gente, mas não faz muita questão de lembrar da cidade que cedeu os trilhos para suas rodas sempre muito bem articuladas ao rodar, deve ser...

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Hermetismo poético

  
   Sempre perco as poesias que não tive como escrever, justamente pela hostilidade do momento em que floresceram na minha mente. Guardei-as como pude, internalizei, esqueci... mas devo ter sonhado. A gente sempre sonha. Aqueles sonhos incompreensíveis, ou sonhos que queremos acreditar que assim o são, às vezes porque revelam os encontros das nossas almas com outras almas, encontro dos nossos pensamentos com donos de outros pensamentos, mesmo a tantos e tantos metros de distância... é tudo poesia, sabe? E é isso que me consola.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Teorizando o lixo emocional

  Desguarnecida, em um tédio devorador, foi então que a escuridão do quarto me pareceu alguma coisa, no meio do silêncio da noite, enquanto as paredes ruíam e todos ao meu redor descansavam tranquilos...
  Me dispus a pensar sobre o lixo emocional.
  Digo, lixo.
  Emocional.
 Afinal de contas, o que é que a gente faz daquilo que nos sobra - sentimentalmente falando? Como lidar com o remanescente sentimental que não nos serve mais sob a ótica da razão, ou mesmo sob as condições impostas pelas circunstâncias?
  Em que raios de conjuntura a gente encaixa um amor já não nos cabe, uma saudade inconveniente ou o rancor que já não é o que realmente queremos sentir por alguém que nos feriu o ego?
  Eu digo, o que é que a gente faz com sentimentos que já não queremos? A gente coloca no lixo? A gente soterra ao fundo e por trás daquela cicatriz mais profunda que nos preenche a alma? Ou a gente deveria... reciclar?