quarta-feira, 27 de abril de 2016

Espelho

   
 (...) minha alma acorrentada na ansiedade, ao ter milhões de palavras querendo sair sem encontrar um caminho. Atropelo-me nessa imensidão e me deixo voar pelo espaço dos pensamentos, que brotam tão docemente... E continuo a tentar escrever do mesmo jeito, mesmo quando a vida continua insalubre, descontinuada e só.
     Eu me sentei num banco de rodoviária para me dispor a esperar também meu caminho para casa. E desejei ir embora quando encontrei os espelhos da miséria traduzidos na essência do que sou, mesmo sem querer ser.
    Um homem cambaleante, de roupas rasgadas, a pele encardida, que trôpego sarandava pelo hall (como se estivesse procurando alguma coisa que não sabe o que é); e fala sozinho consigo mesmo aquele caos arrastado que é a dor de sentir e não ser compreendido e esperar que alguém possa somente saber que o falar já lhe basta, porque expulsa o que sente, mesmo que tão somente para si, tão puramente em vão. Se não era também o que eu mesma fazia, as aulas de interpretação de texto também foram vãs.

terça-feira, 26 de abril de 2016

No infinito dos olhos



Há poesia sem versos
no avesso dos olhos
que olhares sinceros
se põem a trocar.

Há estrelas que brilham,
misteriosas e aflitas,
no infinito dos olhos
que me vêm encontrar.