terça-feira, 6 de outubro de 2015

Fangirl - Resenha

 Toda e qualquer maneira de começar esta resenha será injusta. Quando um livro é muito bom, ele causa esse feito. Êxtase. Não sei por onde começar, nem o que dizer. São tantos balõezinhos de opiniões se manifestando agitadamente dentro da minha cabeça...
 Bom, é fato que este livro se tornou um divisor de águas na minha vida. E vocês vão entender porquê.
 Cath é uma maluca desesperada por histórias que nem eu: além de se envolver completamente, em todas as dimensões possíveis, com uma série de livros, ela dedica sua vida a escrever uma fanfic deles. Para ela, a história de Simon Snow e Baz é mais do que ficção - é uma extensão da sua alma transcrita em palavras.
 Ela tem uma irmã gêmea, Wren,com quem divide o amor pela história de Simon Snow, mas quando elas vão pra faculdade a irmã decide que precisa criar a sua própria vida além dos limites da amizade com Cath, e esta se vê sozinha num campus ainda desconhecido com uma colega de quarto que também desconhece.
 Isso se torna um problema porque Cath é do tipo caladona e anti social. Para ela, a irmã bastava e, ao longo do semestre, elas se afastam. É assim que Cath se vê obrigada a ceder e fazer amizade com Reagan, sua nova colega de quarto, através de quem conhece Levi, e aí então toda a história muda. 
 É fato que o que mais me encantou no livro foi a clara paixão pela literatura - tanto da Rainbow, que é a autora, como da personagem, através de quem ela deixa isso claro. A Cath, a princípio, não se incomoda em ser sozinha, porque se doa integralmente à literatura, quero dizer, à Fanfic que escreve e às aulas de Escrita de Ficção.
 A única coisa que me chateou foi que eu demorei a encontrar a moral da história. Apesar de ser um livro que me prendeu muito e que conquistou meu coração como nenhum livro fez em um bom espaço de tempo, não encontrei uma verdadeira complicação, o verdadeiro conflito. A Rainbow parece ficar dividida entre a má relação entre Cath e a mãe; a ideia de que crescer também significa desprender-se da família, que é o que acontece entre ela e a irmã; e acima de tudo e qualquer coisa, a crise que ser uma leitora extra sensível causa - apego e um amor tão fortes pelo universo paralelo de outra história, que dificulta nossa relação com o mundo real, este muito mais difícil e que nem sempre nos dá a liberdade de manipulá-lo como Cath faz com a fanfic que escreve. 
 A Rainbow criou um enredo tão literário, sem redundância, que se você não for uma pessoa muito amorosa literariamente, achará tosco. Mas é sensacional! Digo, a ideia de criar uma personagem absolutamente envolta pelo mundo de um outro personagem e a chace que a autora lhe dá de perceber que, no fundo, todos temos a nossa própria história a ser escrita, e ela está dentro de nós. Como se todos fôssemos capazes de criar a nossa obra de ficção. Grande parte das obras de ficção surge de um pedaço de nós. 
 Avaliando mais severamente, diria que o livro é extremamente envolvente, mas fica um pouco maçante quando inclui trechos demasiadamente longos da suposta saga pela qual Cath mata e morre. Além disso, é preciso uma análise mais profunda e talvez até otimista para encontrar o conflito, o objetivo, a moral da história. Eu achei o livro brilhante, arrebatador, sensacional meeesmo, mas sobretudo porque houve uma profunda identificação pessoal. Quem não curte romance nem sofre de amor literário crônico talvez não o compreenda, e se quer saber, esse alguém não o merece!

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