quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O caminho do impossível

 Eu sempre quis saber se a arte imita a vida porque sempre duvidei a minha capacidade de lidar com a não existência daqueles amores arrebatadoramente intensos (e inspiradores e naturalmente transformadores e avassaladores e inevitáveis e indescritíveis) e, por isso,  indefiníveis fora da literatura ou dos cinemas. 
 Mas acho que essa dúvida retrata muito mais uma humanidade do que um medo: temos necessidade do que não temos. Aquela história de que o capim do vizinho é sempre mais verde, de que nunca ficamos completamente satisfeitos com o que já possuímos.  
 Como tudo na vida tem dois lados, eis o segundo: é necessário ter necessidade de mais. Porque se a gente não viver em busca de alguma coisa maior, a gente se deprime, para no tempo. Sem viver pra buscar um sonho, um ideal, deixamos de fazer história. É bom querer mais, sonhar mais, ter sempre um horizonte ainda mais distante e ainda mais bonito... 
 A questão é que a impossibilidade também é um combustível.
Eu nunca conheci uma história que começasse tornando tudo realizável e alcançável. É sempre a ideia do que precisamos nos esforçar para talvez conseguir. São sempre os treinos incansáveis dos atletas que querem medalhas, são sempre comunidades doentes e exploradas que precisam travar uma guerra para conquistar alguma liberdade, são sempre os amores que atravessam dificuldades, obstáculos, diferenças de pensar e agir; são sempre os impossíveis... 
 Ontem eu encontrei o lado bom do último péssimo livro que li: "talvez amores intensos fossem assim também, só crescessem em ambientes hostis". E eis o resumo de tudo o que tentei dizer...
Blair e Chuck não seriam tão implacáveis se fossem capazes de fazer seu final feliz em menos de 6 temporadas. Grey's Anatomy perderia todo seu encanto se a Meredith não fosse tão traumatizada psicológica e emocionalmente. E o Shakespeare? O que seria dele sem as tragédias? Sem a morte do Romeu e da Julieta que torna a história louvável? 
 No fim, a vida é assim, o desejo de ultrapassar as impossibilidades se sobrepoem ao sentimento de finalmente alcançar o que se quis. Talvez não saber se existem amores de filme seja o que me faz continuar vivendo, dia após dia, a busca incansável pela mágica dos amores literários. Talvez viver todo dia indo procurar as respostas seja o que nos faz seguir, e não simplesmente obtê-las sem o menor rastro de impossibilidade no caminho.

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