quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Machado de Assis - Um gênio brasileiro

   Machado de Assis é o autor da minha vida. Desde os primórdios do meu nono ano fundamental, quando analisamos A Cartomante em sala, eu soube: ele me daria a graça da inspiração e o sonho de ser apenas metade - e ainda assim isto me faria ser gloriosamente - do que foi como autor, pensador, gênio, "homem das letras e do funcionalismo público" e dono de uma perspicácia única.
  Foi por isso que decidi, mais ou menos entre o meado de 2013 e o início do blog em outubro do mesmo ano, quando o estudei de novo, mais profundamente dessa vez, que leria sua biografia tão logo quanto possível.
  Tardei.
  Mas se há algum mérito em cumprir metas mesmo que tardiamente, eis que finalmente cheguei ao fim de Machado de Assis - Um gênio brasileiro. E levando em consideração tudo o que devo ao Mestre, precisava deixar (especialmente aqui no blog) um registro de tal fato.
  Comecemos.
  A princípio, me iludi. Comecei a ler porque queria saber quem é o Machado provedor de tanta genialidade, o Machado que não é um homem público; quis entender porquê Carolina foi sua amada por longos 35 anos, porquê ele não teve filhos e conhecer o que há por trás de tanto realismo, o tal intitulado pessismo por alguns. E me frustrei: a maior parte do livro trata das suas obras, dos trabalhos que fazia como tradutor ou crítico (no início da carreira) e basicamente seu histórico profissional-literário. Há pouquíssimas informações pessoais.
  É claro que todo autor imbute parte de si em suas obras, e Daniel Piza é perspicaz nas longas e profundas análises literárias de que o livro é feito, por isso consegue discernir os trechos mais biográficos que ficcionais; essas análises mais profundas é o que nos deixa mais próximos do Machado durante o livro. Ainda assim, muitas dúvidas que me atiçaram a curiosidade pelo livro, permaneceram de pé ao seu fim.
  O autor justifica essa ausência com a verdade de que há pouquíssimos registros da vida pessoal de Machado, o que torna esse tipo de biografia impossível. Tal como foi. Mas confesso que sua justificativa não foi suficiente para me deixar feliz.
  É preciso ressaltar que as análises são feitas sobre a maior parte de suas obras, inclusive as peças e ensaios muito pouco aplaudidos no seu início de carreira.
  E sobre o início de carreira, retiramos uma infinita inspiração: Machado não tinha a genialidade transcrita em Dom Casmurro, nem o sucesso e reconhecimento de que tanto me orgulho. Ele travou uma batalha longa, com críticas pouco incentivadoras ao seu primeiro livro (Crisálidas) e um caminho com mais de 250 crônicas em um só ano. [#shameonme]
  Outro fato importante é que seu trabalho como servidor público por anos e anos quebra toda a corrente de críticas que classifica seu clássico sarcasmo Machadiano como alheio à consciência política e preocupação com problemas sociais, por assim dizer.
  Voltando ao livro, achei que as fotos selecionadas pelo autor seriam mais úteis se fossem melhor posicionadas, por vezes e vezes achei a foto pouco relacionada com o texto sem contar a quebra no ritmo de leitura que ela deixa.
  Em suma, o livro imprime a importância dos jornais e folhetins da época para a ascensão de Machado, e também seu ciclo de amizades, que me deixou com inveja, devo dizer, ao citar trocas de resenhas e cartas entre Machado e Alencar, Machado e José Veríssimo, entre tantos outros.
  Para um apaixonado pelo talento transcrito na literatura Machadiana, afirmo: a leitura vale a pena. As análises literárias nos levam de volta às aulas de literatura do ensino médio, além da viagem no tempo que é estar na época de Machado, entre a rua do Ouvidor e o Cosme Velho, entre clubes literários e shows de ópera... Mas para quem está a procura de respostas sobre a identidade do Machado que era apenas um mulato, epilético, servidor público, casado e sem filhos, meu conselho: guardem suas perguntas para quando chegarem a eternidade, e puderem encontrá-lo vocês mesmos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário