quinta-feira, 9 de julho de 2015

Para Onde Vai O Amor? - Resenha

  Carpinejar me deixou em crise. Uma crise tão colossal e avassaladora que nenhum outro livro jamais conseguiu desencadear em alguém, tenho certeza. 
  Lidei com sua depressão e sua intensidade. Com a profundidade de um homem. De um ser humano sensível, absolutamente passivo de dor e totalmente apaixonado pela ânsia de conseguir derramar-se em letras. Derramar em palavras toda a imensidão do seu interior. 
  Sua passionalidade me assustou. Por alguns instantes cheguei a cogitar inválida minha maneira de amar, uma vez que desconhecia tamanha devoção num amor, numa maneira de doar-se. 
  Sua maneira de ver o fim me consolou. Me encontrei vagando entre a identificação e a idealização - suas verdades confirmaram o que sempre pensei sobre um final de relacionamento. Embora ele tenha feito-me sentir isso com muito mais sentimento (sem a redundância aparente) e realidade sensitiva, se é que me entendem. 
  Esse homem nasceu para escrever. Ele foi feito para entornar ao mundo os efeitos do amor. Do amor que dura, do amor que se transforma, do amor que tudo suporta, do amor que sente medo, do amor que acaba... 
  Carpinejar é a personificação do que a literatura deve ser: a profundidade do sentir humano traduzida em textos.
  Uma vez ou outra, julguei-o mal amado. Incompreendido. Sem amor próprio. E talvez ele seja mesmo. Mas sua verdade é uma só - ele entende sobre a sabedoria que as façanhas do amor nos trazem. E apenas aquele que ama ou amou com afinco será capaz de enxergar a grandeza que há por trás dos textos aparentemente portadores de fossa, que exalam compreensão sobre si mesmo e incompreensão declarada sobre o mistério infinito e eterno do que é amar.

  

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