terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Eleanor&Park - Resenha

 Análises criteriosas apontam (quase) 30 dias desde que esse pobre blog foi abandonado às moscas e à solidão. Ainda bem que eu sempre volto.
 Hoje quem me trouxe aqui foi o item 3 da minha meta de leitura nas férias: Eleanor & Park. 

Confesso que de tanto ver a imagem dos dois estampada em cada página literária que eu sigo (e acreditem, são muitas), fiquei muito, mas muito curiosa mesmo, e saí por aí, nas livrarias da Cidade Maravilhosa procurano por eles. Acontece que estava muito caro e eu até desisti. Mas a foto da capa do bonitinho não deixou de aparecer então acabei não resistindo ao impulso de ceder à promoção do submarino.
 Pois bem. Foram 3 longos dias. 
 No início, um choque. A história começou bem diferente do que eu tinha imaginado: um romance no tempo dos meus pais, com uma personagem principal absolutamente fora dos padrões de beleza estabelecidos pela sociedade, um ônibus escolar completamente absorto no mundinho de filme adolescente americano e uma história de vida mui peculiar que ameaça dar as caras. 
 Seguidamente, o enredo particular de cada personagem vai se revelando nas brechas entre encontros no ônibus e empréstimos de gibis. Eleanor é a primeira filha dos 5 de Sabrina. Seus pais são separados e ela acabou de voltar para casa da mãe, que divide-na com o padrasto, um cara muito muito bipolar, que é praticamente o bicho papão, anteriormente expulsou a moça de casa (o que explica a volta) e só faz gritar e/ou colocar medo nas criancinhas. Park, um adolescente de classe média, é vidrado em rock e sempre lê gibis. A princípio, apresenta um preconceito quanto a Eleonor, por causa das roupas surradas e masculinas da moça (uma vez que sua família mal tinha dinheiro para a comida), mas acaba por revelar sua boa índole. 
 Basicamente, a história trata da queda dos preconceitos de Park e do processo de aceitação de Eleonor para com ela mesma. Ele descobre que ela é muito mais do que as roupas largas e fora de moda, e ela percebe que é linda e amável (no sentido literal), mesmo com toda a dificuldade que passa. 
 Não posso dizer que gostei do final. Mas também não posso dizer que odiei. 
 No instante em que terminei o livro fiquei esperando o resto da história, num processo de negação, tentando dizer pra mim mesma que tava faltando uma parte. Um pouco depois eu senti raiva. Mas agora eu to pensando em Uma Aflição Imperial, de A Culpa é das Estrelas, e como a Hazel, imaginando que ele termina assim porque a autora (usuária assídua da maldade para com os leitores) quis conferir verossimilhança à obra. Porque a vida e as histórias que a gente escreve na vida terminam e começam quando ela bem entende e tal e coisa e coisa e tal. Mas nah. 
 Pra ser sincera, me decepcionei um pouco com o livro. Criei uma imagem para ele na minha cabeça antes de tê-lo nas mãos. Esperei um romance daqueles que a gente não consegue largar, e que em cada capítulo acontece uma coisa diferente e te faz querer dormir com o livro, comer o livro, abraçar o livro, tomar banho com o livro, pra ver se ele se incorpora a vida real mas não foi assim. 
 No entanto, contraditoriamente e à sua maneira, o estilo do livro de prendeu. Não de um jeito desesperador, mas de um jeito que me fez torcer para que as coisas dessem certo na história. As narrações que intercalavam o ponto de vista de um e do outro, o fato deles se apaixonarem gradativamente, a maneira como a Rainbow faz a Eleonor ser a mocinha amável mesmo que ela não seja dona do corpo perfeito e não tenha muitos amigos... De algum jeito, o livro se tornou especial pra mim. Foi uma leitura que valeu a pena não por ser aquele clichê esperado em todo romance: um mocinho e uma mocinha que passam um milhão de dificuldades para ficarem juntos. Foi uma leitura que valeu a pena porque têm personagens com uma história de vida que faz a gente repensar a nossa; porque tem um casal que se apaixona através da leitura; porque parece tão de verdade que te cativa a ponto de você se sentir confidente daqueles dois. E é por isso que ele mereceu essa publicação. 


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