terça-feira, 21 de outubro de 2014

Crônica da psicologia

 Descobri uma nova paixão. Uma que engloba quatro. Talvez a paixão mais influente dos últimos tempos. E esses novos amores têm nome, sobrenome, um gênio próprio, e um símbolo representativo. Apresento-vos, então, meu novo objeto de adoração: Psicologia ; e seus seguidores, Freud, um tridente e Warner (Aaron Warner).
 Pois bem.
 Há aproximadamente um ou dois meses, eu li Estilhaça-me, da Tahereh Mafi, publicado pela editora Novo Conceito. E o livro me deixou num estado tão arrebatadoramente inebriante e entorpecido de amor que não consegui verbalizar minhas impressões numa resenha. No entanto, minhas expectativas foram absolutamente supridas e quiçá superadas por tal obra, isso precisa ficar claro.
Esta semana, terminei o segundo volume da série, e só dei esse espaço entre um livro e outro, porque precisei (“suadamente”) juntar dinheiro para tal. Heheheh Mas o que de fato importa, é que, no segundo livro, minhas expectativas foram a Marte quando, sob o efeito das palavras da autora mais incrivelmente capaz de descrever sensações na atualidade, eu me apaixonei platônica, perdida e inutilmente pelo Warner.
 O que, sobre o livro, vocês precisam saber (além do fato de eu já estar morrendo de ciúme pelos possíveis leitores de tal obra que esta publicação pode acarretar), é que o moço Warner é alguém mau. Ou talvez nem tão mau assim. Em suma, ele tem um trauma psicológico agudo e, eventualmente, irreversível.
 Tenho tantas idéias borbulhando aqui que quase não estou conseguindo continuar. Mas tentemos.
  Dando uma viajada das grandes, na recente aula de filosofia, aprendi uma coisa interessantíssima, psicologicamente falando: todas as nossas manias, ou parte delas, são, na verdade, uma maneira do nosso cérebro suprir alguma carência (recente ou distante) ou libido.
  Sim, amigos. Quanta confusão. Quanta falta aparente de sentido. Quanta psicologia. Quanto amor!
  Voltemos.
 Foi pensando nesta teoria, por hora louca, mas absolutamente essencial no meu histórico de pessoa divagadora, que eu repensei minhas manias para encontrar então a minha carência que ficou perdida em algum lugar na minha história.
  E, assim, eu retomo o sentido do texto, contando-vos que: foi através dessa trilogia que percebi a minha atração recorrente e permanente por personagens literários com traumas psicológicos. Então comecei a pensar se a psicologia não explicaria, também, o porquê dessa minha atração por traumas psicológicos. Recorri ao psicólogo mais próximo, ou futuro psicólogo, e descobri que:
 “ Geralmente, em livros, o personagem transpõe ou é afetado por alguma característica que o torna único. Os que possuem traumas psicológicos quebram a lógica do mocinho, e tornam tudo mais interessante. Então o fato de os livros explicarem isso sobre o personagem e justificarem sua conduta ou paixões através desses traumas, nos aproxima deles, e além disso, os deixam mais humanos, mais reais. O que é uma pista é da [minha] vontade de sempre entender o personagem como um todo, se enveredar por ele e supor sobre ele mais do que dizem as palavras, vulgo se apaixonar”  - (Caio Fernando Abreu) [ehehehe brincadeirinha, essa citação é do Caio Albuquerque Jardim, ótimo psicólogo, recomendo]
  Por muito tempo eu pensei que traumas psicológicos não fossem tão reais, ou talvez, tão graves.   Mas o fato é que esses livros, entre outros, me ajudaram a entender que essas coisas existem. São sérias. Deixam danos quase ou tão mais sérios quanto um tiro no cérebro.
  E aí, eu pensei nos meus traumas psicológicos, e decidi, finalmente, concluir a crônica que tento terminar há anos sobre julgamentos, porque descobri, sobretudo com ajuda desses dois livros, que o julgamento em si determina muitos traumas.
 A facilidade com que sempre julguei os traumas psicológicos como coisas banais e presentes em pessoas fracas, me faz agora cair por terra, uma vez que vi por dentro de cada personagem e os enxerguei como pessoas reais. Como seres humanos que sentem tanto quanto eu. Que têm sangue correndo nas veias e uma cruz para carregar todo santo dia.
 Eu já pensei muito sobre essa questão de julgamento antes, quando, mais uma vez, a pessoa julgada em questão era eu. Infelizmente, ser a pessoa julgada não me exclui do posto de pessoa julgadora em outras situações, e como a gente precisa saber reconhecer os erros, afirmo-vos: sou parte da imensa multidão que se rende à facilidade tentadora de decidir a vida do outro por ele, e saber, irrefutavelmente, como este deve se comportar ou agir diante das intempéries e banalidades da vida.
 Agora, porém, decidi que não posso mais me calar diante de tamanha insensibilidade humana, e clamo por misericórdia numa desesperada tentativa de fazer as pessoas pararem de fazer isso, embora eu saiba que sou quase um ninguém nesse mundão de meu Deus. Esse direito não cabe a nós, e isso precisa estar esclarecido como um limite, e bem como tal, respeitado.    

Um comentário:

  1. Ótima reflexão. Temos necessidades psicologicas que quando não satisfeitas, acarretam sérios traumas,como você bem disse. A situação se complica ainda mais em uma sociedade manipuladora e falsa que impõe padrões absurdos,como o de beleza,social... Pessoas criando fardos extremamente pesados e sem saberem o porque. O julgamento é quase um tiro. No peito. E sim, somos a todo momento propensos a julgar,e tal julgamento começa nos simples atos... É necessário ir contra a correnteza.

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