quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A metáfora da Cruz

 Acho que já comentei por aqui a minha paixão por símbolos (mas alguns amores são tão grandes e profundos e intensos que não cabem em uma publicação só). No entanto, eu provavelmente não comentei a minha falta de tempo até para me dedicar a eles, então aproveito para recuperar a minha percepção para com os símbolos, e amenizar as coisas me agarrando com unhas e dentes ao sentido novo que encontrei para uma metáfora antiga. 
 Para chegar até ele, porém, contar-vos-ei uma historinha...
 Era uma vez um moço Moisés, que há muito tempo, quando Jesus nem sequer tinha nascido, guiou uma galera que estava sendo escravizada para um lugar novo, prometido por Deus, onde não haveria mais escravidão. 
 No entanto, para chegar na Terra Prometida, esse povo caminhou muitos e muitos anos, e durante a caminhada houve fome, houve sede, houve cansaço, houve medo, houve discórdia, e entre muitas outras coisas que houveram, houve revolta. 
 Sim, revolta. 
 Oras, que Deus é este que promete o fim da escravidão, se para chegar à vida nova é necessário continuar a padecer? 
 Foi por causa dessa revolta que, então, Deus chamou Moisés e disse:
- Faze uma serpente de bronze e coloca-a como sinal sobre uma haste; aquele que for mordido e olhar para ela viverá.
 E assim ficou decidido que tal serpente seria como um espelho: aquele que fosse picado pelas serpentes do deserto, isto é, se deixado levar pela persuasão prática do pecado, seria picado pela serpente de bronze, e ao fazer isto, se depararia com a vergonha de ter agido como agiu, o arrependimento lhe tomaria, e esse alguém seria curado. 
 Algum tempo depois, Jesus veio à Terra como um ser humano, e por amor, obediência e coragem, deu a vida por nós aceitando o sacrifício de ser crucificado. E desde então, a cruz se tornou a nossa serpente de bronze, para a qual olhamos quando somos tomados pelos sentimentos e pensamentos ruins. 
 Entretanto, agora há uma diferença. Ao olhar para a Cruz, nós não enxergamos o nosso espelho, quero dizer, as nossas misérias. Ao olhar para a Cruz, nos deparamos com a nobreza de um Deus de amor; nos deparamos com a valentia e a coragem de um Deus capaz de fazer da Sua vida o gesto de amor de doação mais bonito de que se tem notícia. Ao olhar para a Cruz, vendo o Cristo preso ali, eu vejo o tamanho da misericórdia que vem de um amor tão grande assim. 
 Que metáfora mais linda. Que simbologia maravilhosa. 
 Quando contei para mamãe o que tinha aprendido, percebi a beleza que há nessa história toda. 
 Que felicidade poder contar com uma metáfora assim. Poder acordar todos os dias e, ao olhar para a Cruz, lembrar que Deus me ama e zela por mim a este ponto. 
 Acabei por decidir que eu quero ser bonita assim, que nem a metáfora da Cruz. Não to falando de beleza exterior não, mas a beleza de me lembrar todas as horas dia, ao longo da minha caminhada pelos desertos da vida tentando chegar ao lugar em que finalmente minha escravidão pelo pecado termina, que Jesus foi crucificado por mim, e lembrar também de retribuir todo o seu sacrifício vivendo de uma maneira diferente daquele povo revoltado quando tiveram que atravessar o seu deserto. 
 Coincidente ou providencialmente, questionei qual é a metáfora a qual eu tenho me dedicado ultimamente, e diante da resposta, percebi que o problema do mundo é não olhar para o Cristo de braços estendidos e presos à Cruz quando o deserto chega. 

Um comentário:

  1. já ouvi a historia de Moisés 10291313 de vezes, e nunca ouvi desse jeito, você me fez refletir sobre esse simbolo de uma maneira diferente, obrigado gabi, você é uma garota incrivel!

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