segunda-feira, 9 de junho de 2014

Inquietações de uma vestibulanda em crise

 Eu comumente passo uma enorme parte do meu tempo querendo vir aqui e escrever alguma coisa. Porém, a versão real (e cruel) dos fatos é que "the estudos never ends", e vocês já conseguem imaginar porque eu passo tanto tempo longe. 
 Tendo encontrado uma brecha (ou talvez, tendo ignorado alguns afazeres), vim matar as saudades e me sentir alguém com voz ouvida na sociedade, e sem mais delongas (acho essa palavra super legal), lá vai!
 Há muito percebi que tenho um hábito - o qual apelidei carinhosamente de "instinto jornalístico" - que me faz pensar e discorrer mentalmente sobre o assunto cujas pessoas ao meu redor estão falando, ou sobre suas ações.
  Sendo assim, eu consegui encontrar algo sobre o que escrever, e vim anular parte da minha saudade desse bloguezinho lindinhomeuamorzinhomimimimi...
 Portanto, começo oficialmente essa publicação dizendo-vos que, durante uma aula de geografia sobre globalização, a mais recente ideia formada por esse projeto de escritora aqui é: sou um alguém absolutamente irritado com a maneira como grande parte da coisas cruéis desse mundo se sobrepõem ao que há de bom.
  Me refiro ao fato de estar inserida numa sociedade que só sabe formar médicos e engenheiros, privilegiando-os e fazendo as pessoas com dons nada semelhantes a estes sentirem-se como pessoas com dons não especiais e não importantes. 
 Mas você também pode lembrar de casos como o quanto você estava cansado e cheio de dor de cabeça na segunda feira passada, mas ainda sim teve que se levantar as seis e ir pro trabalho porque seu chefe não está nem aí pra você e a sua dor de cabeça, ou seja, quando as consequências de um capitalismo selvagem e devorador devorou todo o seu bom humor; ou lembrar de quando você dedicou-se dias e noites à matéria de matemática e nem assim conseguiu uma nota boa, sobrepondo-se, assim, a tragicidade de estar no 3º ano médio e talvez não passar no vestibular ao seu esforço incalculável e etc..  
 Dentre os dois exemplo citados, no entanto, o motivador foi um diferente: é que ultimamente todo mundo me pergunta o que eu vou fazer na faculdade, e o fazem com um sorriso de animação. Então quando eu respondo "jornalismo" o sorriso fecha. Elas ficam sem graça, as palavras "coitada, que menina maluca, vai morrer pobre" formam a legenda dos seus pensamentos instantâneos; aí elas olham para baixo e forçam uma empolgação em pseudo-frases parecidas com "ahh entendi". 
 (Que fique claro que eu nunca conto a parte do "e depois me dedicar ao ofício de escrever, passando viver para e da publicação dos meus livros".)
 Uma dos meus atributos mais característicos tem a ver com criar analogias entre histórias de livro e situações cotidianas, e a ponte da vez vem de O Pequeno Príncipe:
"As pessoas grandes adoram os números. Quando a gente lhes fala de um novo amigo, elas jamais se informam do essencial.
Não perguntam nunca: Qual é o som da sua voz? Quais os brinquedos que prefere? Será que ele coleciona borboletas?
Mas perguntam: Qual a sua idade? Quantos irmãos ele tem? Quanto pesa ? Quanto ganha seu pai ? 
Somente então é que elas julgam conhecê-lo.
Se dissermos às pessoas grandes: Vi uma bela casa de tijolos cor-de-rosa, gerânios na janela, pombas no telhado... elas não conseguem, de modo nenhum, fazer uma idéia da casa. 
É preciso dizer-lhes: Vi uma casa de seiscentos contos. Então elas exclamam: 'Que beleza!' "
 Quando li esse livro, no auge dos meus 9 anos,  decidi instantaneamente que não queria crescer, porque, na verdade, é bem mais importante e legal saber se alguém coleciona borboletas que a sua idade. 
 O que eu não sabia, no entanto, era que um dia essas perguntas seriam direcionadas a mim, e que a minha insatisfação para com as mesmas não seria suficiente para mudar seus modos de pensar e agir, e perguntar e responder a tréplica. 
 Acredito que esse trecho seja suficiente para esclarecer qual que é a reflexão da vez. 
 Por favor não sejam parte daqueles que só se preocupam com os números, o gosto do brigadeiro diz mais sobre ele que o seu preço. 

2 comentários:

  1. Gabiiii (que que eu tô fazendo comentando aqui?), não se inquiete com a "opinião" - por sinal, muito produtiva - da maioria das pessoas. Você vai seguir essa carreira porque é a sua vontade e pronto. A ditadura dos sem "simancol" é inevitável, hahaha. Me pergunto porque as pessoas sonham tanto com um bom emprego em áreas como a medicina, sem nem ao menos tocar no assunto de abrir um livro e estudar a aula de Biologia da semana passada. kkkkkk Infelizmente, sempre se ouvirá frases como: "não sejamos hipócritas, dinheiro é importante, sim..." e bla-blá-blá, hahaha Parabéns pelo blog!! ;)

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  2. Caramba, Marcio, só vi seu comentário agora! hahahaa obrigada! É muito bom ler isso, concordo com você, acho que deu pra perceber ao longo do texto hihi Se Deus quiser eu vou chegar lá!

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