segunda-feira, 23 de junho de 2014

Cidades de Papel - Resenha e reflexão pra levar pra vida

 Há tempos eu decidi que a imaginação é o remédio. No entanto, como já disse, meu cérebro é um traíra, e sempre para de funcionar na hora em que bem entende. (Desta vez, ele bem entendeu como hora de dar tchau o momento em que eu comecei a dissertar tal teoria.)
 Apesar disso, preciso contar-lhes: em mim, a literatura opera milagres. O que é momentaneamente trágico, levando em consideração minha falta de tempo para dedicar aos livros.
 Aí então, conto-lhes ainda outra novidade: consegui dedicar pedaços do meu dia aos meus queridinhos, e na última quinzena, aos trancos e barrancos (#shameonme), terminei Cidades de Papel.
 Voltando à parte dos milagres, achei que o único prodígio capaz de ser realizado por tal obra fosse desenvolver mecanismos de defesa à chatice, mas (glória a Deus por isso) ele me surpreendeu no final, complementando a teoria que por hora havia sido deixada de lado.
 Portanto, esta publicação é bem característica, cumprindo o formato de texto que eu mais gosto: ponte entre a vida e os livros.
 Eu, na verdade, andei pensando sobre a crueldade da vida, fato que rendeu a última publicação. E a consternação dos últimos dias em relação a isto foi tanta que precisei de anticorpos: os livros.
 Tendo, fundamentalmente, uma postura crítica em relação ao Cidades de Papel, preciso dizer, o livro não é bom!  A leitura se faz arrastada, repetitiva, por ora cansativa e as vezes até enjoada. No entanto, é preciso ressaltar que o tio Green é expert em sair da posição de mau condutor de uma história por duas únicas razões: bom humor e uma boa moral na história, e desta vez não foi diferente.
 Sem mais procrastinações, é necessário conhecer o enredo: trata-se de um rapaz pouco entusiasmado com a vida, que vive uma paixão platônica (no sentido mais platônico da palavra) pela sua vizinha e amiga de infância Margo Roth Spiegelman.
 Tal moça tem uma personalidade semelhante à moça Alasca, do seu outro livro, e diante do comportamento bipolar e arteiro da mesma, nosso personagem principal se vê perdido diante das pistas que ela deixou após fugir para uma Cidade de Papel sem deixar explicações, em mais uma das suas aventuras.
 Quando me deparei com tamanho idealismo do protagonista, me identifiquei. Sempre fui um alguém de caráter imaginativo, e vira e mexe me vejo perdidamente apaixonada por personagens de livro, (o que minha mãe considera saudável ignorando a vez em que eu solucei de chorar após a relativa morte de um dos meus amorzinhos, mas isso não vem ao caso) porém, tal fantasia faz do nosso pobre Quentin um alguém mais solitário do que propriamente animado com a presença de um “amigo imaginário” – no caso, a Margo, o que muito preocupa o nosso narrador e faz a história de fato acontecer.
 Tendo em vista meu histórico peculiar, andei pensando que esta sempre foi a minha solução. Uma vez que as coisas não estão boas, logo corro pro mundo das histórias e palavras encantadas, e passo lá se não um mês inteiro pelo menos uma semana, até que a coisa tenha se acalmado e eu possa, enfim, pensar por mim mesma, sem precisar colocar uma história na cabeça para não pensar no que está acontecendo de verdade.
 Apesar disso, sempre houve alguém que recriminasse tal atitude minha, e é em relação a isto que fazemos ligação com o livro.
 O que me tirou pelo menos metade da má impressão sobre o livro foi entender que desta vez John Green estava dizendo que a imaginação adia, mas não resolve. Por vezes,na ânsia de que uma coisa seja diferente para acontecer da maneira que queremos, é muito mais fácil imaginar que assim seja. E então a perfeição seria concretizada. Imaginem que maravilha, sonho e realidade caminhando juntos numa estrada cor de rosa!
 A RÁ! Aí é que vocês se enganam!
 Nosso amigo Quentin precisa atravessar um caminho longo e em alguns momentos cruel para entender que é cômodo imaginar as situações tendo o desfecho que desejamos, mas o idealismo nos cega ao ponto de ignorarmos o que tal circunstância tem a dizer.
 De tanto procurar as pistas deixadas pela Margo da sua imaginação, Quentin se perde da essência de quem a Margo realmente é, e quando, no fim, a reencontra, também se depara com a decepção, o que, sob o meu ponto de vista, é comum quando se trata de idealismo.
 Um dos trechos que me fez refletir sobre tal assunto foi o seguinte:
“A imaginação não é perfeita. Não dá para mergulhar por inteiro dentro de outra pessoa. (...) Mas imaginar ser outra pessoa, ou que o mundo pode ser diferente, é a única saída. É a máquina que mata fascistas.”

Saibamos dosar a quantidade de imaginação para por em uso, então. E que as coisas boas aconteçam mais na realidade que na minha imaginação.

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