domingo, 4 de maio de 2014

Poetizando

  Eu amo frases de efeito.
  Aquele final na crônica que dá a ela personalidade, persuasão, firmeza.
 Aquela cereja no bolo da opinião que, a princípio, te faz amar ou odiar o livro, o autor, a história, a personagem, o cronista.
 Sou completamente apaixonada por esse aval que o leitor, o telespectador, o amante da música dá, com a emoção à flor da pele, no calor do momento, depois de ouvir a frase de efeito.
 Também amo símbolos.
 E quando a frase de efeito é simbólica, ah meu Deus, meu coração se faz em dilacerados pedaços de amor!
 Por isso, não sei se é possível separar frases de efeito simbólicas de poesia, visto que o meu amor por ela nasceu justamente do estado de paixão arrebatadora em que fiquei depois de entender as metáforas de Chão de Giz (que é um fruto simbolista).
 Esses dias, num dos encontros da minha alma com meus devaneios, descobri que há mais símbolos por todas as partes do que a gente consegue perceber. E digo isso me embasando nos fatos cotidianos extraordinários que se dão num olhar de rabo de olho, em cada rito durante a Missa, cada riso que a gente dá quando uma coisa lembra a outra, cada verso torto que a gente escreve e tem vergonha de mostrar, cada coisa que a gente não faz em respeito ao que a gente já fez, e de cada coisa que a gente ainda faz, por zelo ao que se quer fazer.  
 Apesar da confusão, espero ter conseguido dizer que o mais importante desta publicação é deixar claro o quanto tudo é melhor quando há uma razão de ser, digo, quando há uma razão por trás de uma ação, quando ouvir uma música simboliza a presença de alguém na sua mente e no seu coração, quando lavar a louça simboliza sua vontade de agradar sua mãe, quando escrever simboliza eternizar sentimentos e momentos raros, quando se calar simboliza a proeza de se compadecer...
 Ainda por amor, e com amor, à poesia, ouvi metade de uma história outro dia desses, e me deu muita vontade de escrever. A poemática é simples, e os versos também, mas gosto de escrever movida por algo que aconteceu de verdade, e não desejos inspiradores da minha imaginação.
 Um pouco menos simbolista do que eu gostaria, juntei meia dúzia de símbolos, e aqui está.
 Conclusões de uma alma só 
“Dentro dela um arsenal:
lágrimas recolhidas,
indignação polida,
sorrisos memorizados,
balões murchados,
encantamento esquecido,
olhares furtivos,
 todos guardados!
devidamente alimentados ,
mantidos silenciosos e obedientes
na calma aparente da solidão.
Nem um dia a mais, nem uma lembrança a menos.
Saudades e dores,
esperanças e cores,
tic tac...
desbotadas,
quase um dom.
Discretos e barulhentos...
 ninguém via, mas estavam lá!
Criavam raízes nas profundezas da sua alma,
como uma parasita rara, que só não absorve amor...
 Era uma moça e um rapaz.
Dia e noite.
Confusão.
Mansidão.
Calmaria.
Anarquia.
Conflituosa harmonia,
rara sintonia, um par.
Mas que ingrata a vida,
Desperdiçava vivas
Suas fantasias sãs.   
Quisera ser um passarinho,
Que pra fugir do ninho só precisa voar...
mas minha mente pouco serena, 
é quase como uma pena,
apenas sabe flutuar."

PS.: participação importante do Caio nos últimos versos, agradecidíssma.