sábado, 8 de março de 2014

Tentativa poética

 Há algum tempo eu tenho vontade de publicar um texto sobre dons. Em algumas vezes pensei no papel direto ou indireto que os dons alheios desempenham na nossa vida, em outras pensei em partilhar os dons que eu mais admiro a fim de que o efeito positivo que eles geraram em mim aconteça também nos outros...
 Mas por fim, o fato é que todos os textos que comecei a escrever sobre isso não vingaram. Eu parava no segundo ou terceiro parágrafo, e ficava esperando meu cérebro funcionar razoavelmente outra vez, mas ele me traia!
 Cansada e frustrada, deixei isso pra lá. Passei a escrever textos sobre outros temas, e desconsiderando minha falta de inspiração nos últimos dias, até que alguns conseguiram passar a mensagem que eu pretendia.
 Contudo, a novidade da vez é que finalmente, digo, FINALMENTE, pensei num jeito eficiente e satisfatório de falar sobre dons. Mostrar-vos-ei.
Quando eu estava na segunda série (sempre vou me referir ao Ensino Fundamental como séries e não anos), minha professora de português escolheu alguns livros pra ciranda de leitura, e um deles era de poesias.  Foi o meu primeiro contato direto com poesia, e eu lembro - com muito amor e orgulho - que morria de rir com um dos poemas, e de tanto ter lido o bendito até hoje sei de cor!
Pensando nisso, reparei que a poesia me conquistou primeiro pelo conteúdo, visto que era um livro de poesias para crianças, e esses autores cheios de talento e maestria na arte de criar versos provavelmente usaram o humor como artifício (eficiente, por sinal) para atrair a atenção de leitores mirins, assim como eu naquela época.
 No entanto, esse foi o único livro de poesias que eu li desde a minha segunda série até o terceiro ano do Ensino Médio.
 A boa notícia, porém, é que desde o início do ano passado, graças ao dom encantador  e singular do meu professor de literatura, tenho me interessado por poesias novamente. Mas dessa vez o que me atrai não é o humor do poeta, e sim sua habilidade de dizer uma coisa escrevendo outra, usando metáforas, e analogias, e rimas, e símbolos, e uma genialidade que me faz morrer de inveja.
 Por isso, esse post, na realidade, se trata da minha tentativa provavelmente frustrada de exercer um dom que não sei se tenho: fazer poesia.  E lá vai:

Surpresa


Primeiro rosas,
E então, cinzas.
Sob a sombra da noite
me sorria tristonha
Minh'alma pisada
sem saber florescer.

Eram sussurros e sonhos,
promessas levadas como
folhas no outono
pelo sopro do desencanto...

Ainda sorria minh'alma
Mas, silenciosa, sepultava souvenires,
surrupiando-me também a paz.

Assim dias e noites,
e assoalhos de giz
Frágeis como os passos
na ponte de cipós que se construiu.

Labirintos inóspitos,
laços desfeitos
Vi o casulo romper
sem a borboleta voar

Mas incansável soprava o vento
a vela do barco que estava a afundar.
Era uma brisa mansa
de olhos cinzas
Um sublime sorriso de refazer
estragos...

E regava as dores,
sanava a aflição...
Graciosa sutileza ao entrar...

E então era dia!
Amorosa surpresa que preenchia
o vazio
Amável e doce como um jardim florido
Me reiterou a alma,
e devolveu o riso.

3 comentários:

  1. Gabriela querida, esse minh'alma me vez imaginar meus filhos na aula do wagner lendo em voz alta seus poemas. Muito bom, como todos seus outros textos. Estou realmente grata por você não querer jornalismo esportivo, senão seria triste ter uma concorrência TÃO boa quanto a sua. Enfim, parabéns por esse poema lindo. beijos cheios de amor ♥

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  2. obrigada Giubbbbbbbbbbb! obrigada de verdade! eu espero mesmo que nossos filhos estudem meus poemas e livros na aula de literatura hahahahaha <3

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  3. Que texto maravilhoso, Gabriela. Tanto o poema quanto a apresentação, que, pra mim, é um diploma. quero copiar os dois e colecionar seus poemas. Vou fazer outras leituras pra gente trocar ideias sobre sua técnica e estilo. Parabéns!!!!

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