terça-feira, 25 de março de 2014

Aprendi com Quem é você, Alasca?

 Algumas vezes nessa vida (bem mais do que eu gostaria) encontrei livros cujo fim decepcionaram imensamente minhas expectativas. Atualmente, tento lidar com isso pensando que a vida é mestre em nos frustrar e/ou desapontar, e deixo aqui minha contribuição diária para a salvação de todo ser humano (no caso eu), através de boas ações: tente não desenvolver qualquer tipo de mania de perseguição ou revolta com esse... artifício cruel com que a vida parece gostar de lidar, e continue comprando outros livros, e tentando outras coisas, porque, em algum momento, você vai escolher um livro bom.
 Considerando a aleatoriedade do fim do último parágrafo, justifico-me: quando termino um livro eu geralmente fico sujeita à um incontrolável fluxo de pensamentos (convenientes ou não), então tenham paciência.
 Voltando ao que interessa, a novidade é: acabo de terminar de ler "Quem é você, Alasca?", do John Green, e tenho duas opiniões formadas de maneira imutável: (1) ele é o Nicholas Sparks 10 anos mais novo, (2) não gosto de autores que têm tendências favoráveis a morte, drama e motivos que me façam chorar como um bebê enquanto leio.
 Meio spoiler a parte, hoje, apesar das expectativas frustradas, eu aprendi uma lição com o tio Nick da nova geração, e ela teve introdução aqui:
“Tantos de nós teríamos de conviver com coisas feitas e deixadas de fazer naquele dia. Coisas que terminaram mal, coisas que pareceram normais na hora, porque não tínhamos como prever o futuro. Se ao menos conseguíssemos enxergar a infinita cadeia de conseqüências que resulta das nossas pequenas decisões. Mas só percebemos tarde demais, quando perceber é inútil.”
 Verbalizar meus pensamentos em relação a este trecho está sendo peculiarmente difícil, porque eles foram muitos, mas tentarei ser o mais clara possível.
 O fato é que todos estamos sujeitos a erros. Mais que sujeitos, estamos condenados a errar. Nascemos, crescemos e vivemos numa infinda sequência (como eu já disse na publicação sobre o adeus) de falhas, e equívocos, e enganos...
 Eu, particularmente, desde que terminei esse livro, classifico as pessoas de três maneiras diferentes: (1) aquelas que lidam com seus erros de maneira otimista, e refletem de frente a uma consequência não tão boa, de modo que uma prioridade para elas seja não repetir o erro ; (2) aquelas que não lidam bem com as falhas, por isso tentam não pensar no que está ou o que fez errado, e continuam suas vidas ignorando as ações de más consequências, embora essas mesmas consequências sejam notáveis, vivas e presentes; e (3) aquelas que decidem pensar nos erros como um caso grave de necessidade de culpa, como se eles não fossem parte de um ritual obrigatório pelo qual todos passamos (e precisamos passar) e não pudessem tirar dali nada de bom.
 De vez em quando eu tenho uns flashes de pensamentos já pensados, e a conclusão que eu tirei deles, e, terminando de digitar essa publicação eu acabei encontrando um...
  ... Nunca gostei dessa coisa de expectativa. Nunca mesmo. Sempre tive aversão e repulsa às coisas que provocam/podem provocar frustração. Mas feliz ou infelizmente, depois que criaram páginas depressivas e "pré-adolescentemente marcadas" no facebook, a expectativa se tornou banal, porque, afinal de contas, até pessoas com 12 anos encontram frustração na vida, e "gente grande" não está nem aí pra crise na relativa vida emocional/afetiva dos pequenos cidadãos.
  Aí você me diz: "mas você não está ligando lé com tré nesta publicação lotada de asneiras", e eu uso um artifício Machadiano para lhes responder: oras, se este texto é meu, deixem que eu o redija e acrescente ou subtraia dele todas as informações que julgo (des)necessárias! Se queres tu definir o conteúdo desta, pois que pegue seu papel e caneta (ou notebook ou tablet) e o faça. Paciência, gafanhotos. Paciência!
 A ligação consiste no erro. Geralmente erramos criando expectativa, depois erramos ficando triste porque elas não foram supridas, e erramos ainda nos sentido culpados (1) porque criamos expectativa, e (2) porque não podíamos ter errado desta ou daquela maneira.
 Catolicamente falando, penso que Deus não permitiria que algo assim tão cruel, - no pior sentido da palavra - como o erro fizesse parte da vida, visto que Ele é um Deus de amor, e o amor incondicional e inexplicável de Deus por nós jamais concordaria em nos entristecer com algo tão maior que a nossa capacidade de suportar.
 Mas como eu sou um alguém esclarecido, sei que nem todos concordariam com isso, e apresento-lhes um segundo argumento: nós somos o que somos, e deixamos de cometer alguns erros hoje justamente porque aprendemos com o erro anterior. Por isso, a única coisa melhor que errar, é aprender com os erros.
 Particularmente falando, outra vez, eu me encaixo nessas classificações de modo diferente, de acordo com o erro em questão. Ora passo por cima e tento só aprender com isso, ora tento não pensar no que fiz por não lidar bem com o fato de ter errado, ora me culpo irremediavelmente até que descubra quão inútil isso é...
 E aqui eu construo a ponte com a citação de Quem é você, Alasca?: em alguns momentos, esse livro me decepcionou. Em outros, me fez rir. Bastante. Mas, sobretudo, esse livro me ensinou a importância de perdoar a nós mesmos, seja por ter errado, por ter acertado, por ter feito, por não ter feito...
 De fato não é possível prever o que vem depois, e, por isso, várias e várias vezes a gente faz ou deixa de fazer alguma coisa pensando que é o melhor, ou pelo menos porque se está com vontade de fazer. Seja como for, concordo que seria muito mais justo prever... "Se ao menos conseguíssemos enxergar a infinita cadeia de conseqüências que resulta das nossas pequenas decisões."... 
  ... Mas não é possível. Algumas vezes não dá pra simplesmente saber se você está agindo de acordo com o efeito que espera receber, porque você não sabe o que resultará dessa ação. Em outras, a gente precisa fazer errado, pra aprender o que essa situação está disposta a nos ensinar. Mas é tão difícil perceber que se perdoar é o que ainda dá pra fazer de bom por nós mesmos. As vezes a gente só precisa perceber que errar também faz parte, e que pode trazer uma aprendizagem positiva, "mas só percebemos tarde demais, quando perceber é inútil.”.

sábado, 8 de março de 2014

Tentativa poética

 Há algum tempo eu tenho vontade de publicar um texto sobre dons. Em algumas vezes pensei no papel direto ou indireto que os dons alheios desempenham na nossa vida, em outras pensei em partilhar os dons que eu mais admiro a fim de que o efeito positivo que eles geraram em mim aconteça também nos outros...
 Mas por fim, o fato é que todos os textos que comecei a escrever sobre isso não vingaram. Eu parava no segundo ou terceiro parágrafo, e ficava esperando meu cérebro funcionar razoavelmente outra vez, mas ele me traia!
 Cansada e frustrada, deixei isso pra lá. Passei a escrever textos sobre outros temas, e desconsiderando minha falta de inspiração nos últimos dias, até que alguns conseguiram passar a mensagem que eu pretendia.
 Contudo, a novidade da vez é que finalmente, digo, FINALMENTE, pensei num jeito eficiente e satisfatório de falar sobre dons. Mostrar-vos-ei.
Quando eu estava na segunda série (sempre vou me referir ao Ensino Fundamental como séries e não anos), minha professora de português escolheu alguns livros pra ciranda de leitura, e um deles era de poesias.  Foi o meu primeiro contato direto com poesia, e eu lembro - com muito amor e orgulho - que morria de rir com um dos poemas, e de tanto ter lido o bendito até hoje sei de cor!
Pensando nisso, reparei que a poesia me conquistou primeiro pelo conteúdo, visto que era um livro de poesias para crianças, e esses autores cheios de talento e maestria na arte de criar versos provavelmente usaram o humor como artifício (eficiente, por sinal) para atrair a atenção de leitores mirins, assim como eu naquela época.
 No entanto, esse foi o único livro de poesias que eu li desde a minha segunda série até o terceiro ano do Ensino Médio.
 A boa notícia, porém, é que desde o início do ano passado, graças ao dom encantador  e singular do meu professor de literatura, tenho me interessado por poesias novamente. Mas dessa vez o que me atrai não é o humor do poeta, e sim sua habilidade de dizer uma coisa escrevendo outra, usando metáforas, e analogias, e rimas, e símbolos, e uma genialidade que me faz morrer de inveja.
 Por isso, esse post, na realidade, se trata da minha tentativa provavelmente frustrada de exercer um dom que não sei se tenho: fazer poesia.  E lá vai:

Surpresa


Primeiro rosas,
E então, cinzas.
Sob a sombra da noite
me sorria tristonha
Minh'alma pisada
sem saber florescer.

Eram sussurros e sonhos,
promessas levadas como
folhas no outono
pelo sopro do desencanto...

Ainda sorria minh'alma
Mas, silenciosa, sepultava souvenires,
surrupiando-me também a paz.

Assim dias e noites,
e assoalhos de giz
Frágeis como os passos
na ponte de cipós que se construiu.

Labirintos inóspitos,
laços desfeitos
Vi o casulo romper
sem a borboleta voar

Mas incansável soprava o vento
a vela do barco que estava a afundar.
Era uma brisa mansa
de olhos cinzas
Um sublime sorriso de refazer
estragos...

E regava as dores,
sanava a aflição...
Graciosa sutileza ao entrar...

E então era dia!
Amorosa surpresa que preenchia
o vazio
Amável e doce como um jardim florido
Me reiterou a alma,
e devolveu o riso.