terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Sobre Como Dizer Adeus em Robô

  Sempre esqueço de dizer o quanto sou grata ao primeiro post desse blog, o qual avisa, na primeira linha do último parágrafo, o quanto eu não tinha certeza sobre a freqüência das publicações por aqui. 
  E (quase) um mês depois, cá estou. Sem perder mais tempo, tratemos do que interessa!...
  ...Tentei várias vezes começar este mesmo texto, mas em função da turbulência de sentimentos - vulgo ressaca literária - pela qual passei, não consegui dar sequência ao fluxo inacabável de palavras que surgiram na minha cabeça. Então, de acordo com as normas de entendimento do leitor, preciso informar-vos que esta publicação é inspirada em Como Dizer Adeus Em Robô, da Natalie Standiford, publicado pela Galera Record - um dos livros de maior estima no coração de leitora desse alguém que digita.

 Pois bem, começo dizendo que sinto necessidade de enfatizar o quão difícil é resenhar um livro do qual muito se gosta, porque as vezes a nossa relação pessoal de identificação com a narrativa influencia a opinião, e eu não quero ser injusta.
 De início, Como Dizer Adeus em Robô despertou a minha curiosidade pelo título, depois pelo início totalmente absurdo e cômico, e aí então a narrativa leve e engraçada, que também sabe ser séria e muito mais ainda pelo enredo definitivamente original.
 Trata-se, a princípio, da história de Bea, filha única de um casal bem peculiar, que vive se mudando graças ao ofício do chefe da família - um professor que sempre está a procura de subvenções maiores ou alunos mais inteligentes.
 O nomadismo da família na busca da satisfação pessoal-profissional do pai provoca em Bea uma solidão constante, um relativo desinteresse por uma vida social, e o apelido de “garota robô”, derivado – segundo sua mãe – da falta de sentimentos com que Bea encara a vida.
 "Por que eu não me importava? Talvez minha mãe estivesse certa, afinal de contas. Ela dera à luz um mutante. Meu coração era frio e duro. (...)"
 Contudo, o rumo da história muda a partir do momento em que a família chega a Baltimore, e Bea finalmente parece deixar de ser um robô para se importar verdadeiramente com alguém: Jonah, o garoto fantasma. A esta altura, a história contada passa a ser sobre a relação de entendimento mútuo, e – certamente - amor entre os dois.
  "— Por que está com tanto ciúme? — perguntei. — Não é como se você fosse meu namorado nem nada. Você é?— ”Namorado” é uma palavra tão idiota — falou Jonah. — Não, não sou seu namorado. Achei que estávamos muito além disso. O que somos não pode ser descrito por palavras triviais como “namorado” e “namorada”. Até mesmo “amigos” não chega nem perto de descrever."
 Confesso que muitas vezes fiquei sem saber o que sentir enquanto lia, porque de tão melancólica, a história acaba sendo engraçada, mas achei que seria falta de respeito com o sentimento dos personagens (que me cativaram imensamente) rir de tamanha infelicidade, e preferi ficar triste junto com eles.
 Não quero mais dizer muito sobre a história, porque Como Dizer Adeus em Robô me fez lembrar um trecho de A Culpa é das Estrelas, que diz assim:
 “Às vezes, um livro enche você de um estranho fervor religioso, e você se convence de que esse mundo despedaçado só vai se tornar inteiro de novo a menos que, e até que, todos os seres humanos o leiam. E aí tem livros (...), do qual você não consegue falar - livros tão especiais e raros e seus que fazer propaganda da sua adoração por eles parece traição.”
 E este parágrafo imprime só e simplesmente os meus sentimentos em relação a ambos os livros.
 Acredito que o maior e real atrativo de Como Dizer Adeus Em Robô seja sua aptidão para ser o tipo de livro que faz o leitor querer ter um lugar preferido, um programa de rádio com ouvintes que acreditam viver no futuro, e uma amizade ou um namoro ou um tipo raro de amor que não se prende a convenções, que faça jus ao que somos em nossa essência - se ela for boa. 
 E por fim, em nome de toda a minha falta de satisfação perante a descrição desse livro, deixo o link de uma resenha que resumiu grande parte dos meus sentimentos em relação a história aqui.

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