terça-feira, 16 de outubro de 2018

Eu me torno eternamente responsável pelo comportamento líquido que cativo

  Em tempos de modernidade líquida, é difícil pra mim, mera mortal, ser valorizada quando digo que a gente é incentivado a não se despedir verdadeiramente das coisas ou que temos medo de deixar algo ir embora, por mais necessário que isso seja. Eu sei que nossos celulares duram menos de um ano, e que minha geração compra copo descartável pra não lavar louça, mas ainda assim, a gente repete uns padrões esquisitos de manutenção resíduos.  

  Talvez a questão seja que: apesar de saber que o pe. Fábio já ensinou pra mim e todos os outros milhões de usuários do twitter que a gente não precisa se ver eternamente responsável por aquilo que cativa, eu ainda sou o alguém que cresceu lendo O Pequeno Príncipe, e uma professora de português pode não ser tão boa em dissociar suas primeiras conquistas na interpretação de texto (como eu, lendo o trecho da raposa) e um amor literário muito grande. 

sábado, 23 de junho de 2018

Lembranças vívidas demais para serem sentidas rapidamente

Os olhares, as mensagens, os truques
Os recados, os desvios, os encontros
Os medos, os acertos, nós soltos
As dúvidas por não saber onde chegar

No desespero, no meio, na mão suada que nunca ia secar
No desencontro, no ponto, na sede de ter o que puder devorar

No meio do anseio, no apelo, no ir embora, no demorar
Fechar os olhos e ser, no perdoar, no querer, o próprio verde do teu olhar

Imaginar, merecer uma realidade diferente
No meio da noite, não ressuscito, não grito,
espero a chuva passar
Em dia claro eu assisto, aflito, a saudade acenar
No desencontro longo, vi a gente
Viver, crescer, transformar
No fim da metamorfose, na ponte, o que vai ser? O que há?

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Nada com nada

  Às vezes o verbo flui. E ele não precisa ser nada além do que é pra dizer exatamente o que pretende dizer. Existem frases que se constroem sozinhas. Acho que, por precisarem existir, elas se fazem existentes. Vêm, se fazem a si, dizem o que querem, e eu só escrevo. 
  Quero falar daquilo que é. Porque, às vezes, assim como o verbo, eu só tomo a consciência de que sou. Como me tornei, eu não sei explicar. Foi só o vento que soprou. Emergi. Vim à tona, na superfície do mundo, porque precisava ser. O que havia dentro de mim e estava guardado, ficou cansado de se sentar no escuro do que há por dentro, sem platéia, e quis ser visto, ser feito, existir, acontecer. Ele quis ser. E eis que sou. 

segunda-feira, 13 de março de 2017

Pulsações

  A paixão por Frida Kahlo me pegou. Tentei escapar, não consegui. 
  A última parte foi só pelo trocadilho, eu tentei escapar coisa nenhuma! Fui logo me entregando aos expressionismos e biografismos dessa mulher com quem partilho a data de aniversário. 
Foi uma descoberta feliz, e uma inspiração renovadora. Percebi que quero entender de arte. Faz parte de mim essa coisa de querer aprender um pouco mais de tudo, sempre, mas com arte é diferente.      Aprender a ler o que o outro me diz pelas cores, as formas, as letras, as dores, faz a gente mais humano. 
 Foi assim que me joguei por horas a fio num abismo arrebatador de teoria Impressionista (e Expressionista). Eu quero a luz do sol brilhando sobre todas as coisas que são minhas e tudo aquilo que vejo. Mas também quero um e outro sonho (talvez um infinito deles) pairando sobre as escolhas que eu fizer.
  Eu acabei escrevendo assim: