quarta-feira, 26 de abril de 2017

Nada com nada

  Às vezes o verbo flui. E ele não precisa ser nada além do que é pra dizer exatamente o que pretende dizer. Existem frases que se constroem sozinhas. Acho que, por precisarem existir, elas se fazem existentes. Vêm, se fazem a si, dizem o que querem, e eu só escrevo. 
  Quero falar daquilo que é. Porque, às vezes, assim como o verbo, eu só tomo a consciência de que sou. Como me tornei, eu não sei explicar. Foi só o vento que soprou. Emergi. Vim à tona, na superfície do mundo, porque precisava ser. O que havia dentro de mim e estava guardado, ficou cansado de se sentar no escuro do que há por dentro, sem platéia, e quis ser visto, ser feito, existir, acontecer. Ele quis ser. E eis que sou. 

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Encontros

  Eu tenho uma paixão pelo underground. Pelo o que poderia ter sido dito mas não foi, pelo o que poderia ter sido feito, mas não foi, pelo o que poderia ter acontecido, mas não aconteceu, pelo o que eu causei depois que fui embora, pelo o que eu não vejo, pelo o que fica escondido de mim... É quase uma obsessão. É um vício irreparável de imaginar o "e se". Eu crio realidades alternativas completas em torno das possibilidades que gostaria de conhecer. Eu já me perguntei o efeito que causei com o bom dia cheio de dentes que dei para uma senhorinha num consultório. É que o bom dia que ela me retribuiu me fez feliz, desejei ter levado o mesmo de volta pra ela.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Pulsações

  A paixão por Frida Kahlo me pegou. Tentei escapar, não consegui. 
  A última parte foi só pelo trocadilho, eu tentei escapar coisa nenhuma! Fui logo me entregando aos expressionismos e biografismos dessa mulher com quem partilho a data de aniversário. 
Foi uma descoberta feliz, e uma inspiração renovadora. Percebi que quero entender de arte. Faz parte de mim essa coisa de querer aprender um pouco mais de tudo, sempre, mas com arte é diferente.      Aprender a ler o que o outro me diz pelas cores, as formas, as letras, as dores, faz a gente mais humano. 
 Foi assim que me joguei por horas a fio num abismo arrebatador de teoria Impressionista (e Expressionista). Eu quero a luz do sol brilhando sobre todas as coisas que são minhas e tudo aquilo que vejo. Mas também quero um e outro sonho (talvez um infinito deles) pairando sobre as escolhas que eu fizer.
  Eu acabei escrevendo assim: 

domingo, 23 de outubro de 2016

Represas

  A ausência é uma presença enorme e há saudades que aproximam. As músicas que narram finais em geral querem voltar ao início. Eu me entedio com as partes felizes das histórias e vivo na ânsia do drama que nunca tem fim. A vida é paradoxal, e cada vez que me entendio com meus próprios dramas pra ficar esperando pela parte feliz da minha história, comprovo a teoria.