sábado, 23 de junho de 2018

Lembranças vívidas demais para serem sentidas rapidamente

Os olhares, as mensagens, os truques
Os recados, os desvios, os encontros
Os medos, os acertos, nós soltos
As dúvidas por não saber onde chegar

No desespero, no meio, na mão suada que nunca ia secar
No desencontro, no ponto, na sede de ter o que puder devorar

No meio do anseio, no apelo, no ir embora, no demorar
Fechar os olhos e ser, no perdoar, no querer, o próprio verde do teu olhar

Imaginar, merecer uma realidade diferente
No meio da noite, não ressuscito, não grito,
espero a chuva passar
Em dia claro eu assisto, aflito, a saudade acenar
No desencontro longo, vi a gente
Viver, crescer, transformar
No fim da metamorfose, na ponte, o que vai ser? O que há?

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Matu(tando)(rizando)(Amadurecendo)(Ou qualquer coisa assim)


  Maturidade é se reconhecer nas universalidades sem ter medo de não estar sendo único e pessoal. É entender que a extensidade e a intensidade com que se ama ou se faz as coisas dizem mais sobre nós do que a presença ou ausência delas dentro do que nos preocupa. 

  Maturidade é entender-se dono das próprias escolhas, enxergar o tamanho da responsabilidade que isso significa e, ainda assim, não se assustar tanto. É confiar. Esperar. Acreditar que no tempo certo vamos saber o que fazer, como fazer. 

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Nada com nada

  Às vezes o verbo flui. E ele não precisa ser nada além do que é pra dizer exatamente o que pretende dizer. Existem frases que se constroem sozinhas. Acho que, por precisarem existir, elas se fazem existentes. Vêm, se fazem a si, dizem o que querem, e eu só escrevo. 
  Quero falar daquilo que é. Porque, às vezes, assim como o verbo, eu só tomo a consciência de que sou. Como me tornei, eu não sei explicar. Foi só o vento que soprou. Emergi. Vim à tona, na superfície do mundo, porque precisava ser. O que havia dentro de mim e estava guardado, ficou cansado de se sentar no escuro do que há por dentro, sem platéia, e quis ser visto, ser feito, existir, acontecer. Ele quis ser. E eis que sou. 

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Encontros

  Eu tenho uma paixão pelo underground. Pelo o que poderia ter sido dito mas não foi, pelo o que poderia ter sido feito, mas não foi, pelo o que poderia ter acontecido, mas não aconteceu, pelo o que eu causei depois que fui embora, pelo o que eu não vejo, pelo o que fica escondido de mim... É quase uma obsessão. É um vício irreparável de imaginar o "e se". Eu crio realidades alternativas completas em torno das possibilidades que gostaria de conhecer. Eu já me perguntei o efeito que causei com o bom dia cheio de dentes que dei para uma senhorinha num consultório. É que o bom dia que ela me retribuiu me fez feliz, desejei ter levado o mesmo de volta pra ela.